Navegando pelas ilhas de São Paulo

No final de semana dos dias 9 e 10 de novembro realizamos a expedição “Navegando pelas Ilhas de São Paulo” organizado pelo grupo Arquipélagos Urbanos, “um projeto experimental de exploração urbana que propõe a ideia do caminhar não como fim, mas como instrumento de pesquisa e investigação.” (retirado da página facebook.com/arquipelagosurbanos). O evento fez parte da X Bienal de Arquitetura de São Paulo.

Ao todo caminhamos por 50 km, entre as estações Jaraguá, República, e Patriarca, por entre aquilo que se pode considerar como ilhas na cidade: pontos ou linhas que se destacam no tecido urbano, tanto por ser espaço livre (praças), vilas, edifícios notáveis ou estradas, conectadas entre si por um viário descontínuo e embaraçado, que inclui ruas, avenidas, pontes, viadutos, vilas, becos e escadarias. Estávamos em um grupo de 31 pessoas dividas em 6 grupos temáticos separados por proximidade de interesses como por exemplo ritmo/percepção e linhas/barreiras, entre outros que se propunham, inclusive observar a transformação da natureza durante o trajeto. O que a princípio pode parecer um fator limitante ao observador tornou-se, na verdade, um efetivo potencializador das observações. Evidentemente ninguém se ateve ao seu tema específico e a troca de expectativas em uma reunião antes da expedição fez com que se levantassem pontos muito diversos. Além disso o grupo era composto por pessoas de formações e nacionalidades diferentes; estavam presentes arquitetos e estudantes de arquitetura, jornalistas, biólogos, geógrafos, artistas, brasileiros, espanhóis, alemães, portugueses, e outros. Apesar de que as observações pessoais tenham sido bastante variadas e complexas, os grupos temáticos procuram, agora, sintetizar informações para publicar em um site em construção.

De fato, como já defenderam outros teóricos e poetas, caminhar é a melhor forma de conhecer a cidade. Ela cria oportunidades de olhar, ver e pensar a cidade, enquanto estar em grupo permite ler uma maior quantidade de elementos da paisagem. Além disso o grupo cria uma sensação de segurança talvez indispensável para percorrer um caminho desconhecido e incerto. Estavam definidos alguns pontos a serem conectados, outros foram sendo adicionados conforme chamavam a atenção; havia uma direção mas não um percurso definido. Fora isso, um grupo tão grande chama a atenção por onde passa, despertando a curiosidade e provocando reações das mais variadas, geralmente urros – de fato, o caminhar pela cidade por distâncias grandes, 10, 15, 25 km por dia são raridades, fruto de uma cidade que plantou um sistema de circulação mecanizado, tanto quanto se tornou o olhar, que excluiu o corpo da experiência da cidade, potencializou o sentido da visão em detrimento dos demais.

Efetivamente a experiência é sensorial, em sentido amplo, o que envolve todos os sentidos. Evidentemente eles sempre estão presentes em qualquer caminhada curta, mas não chegam a ser tão explorados como durante uma expedição que tem por fundamento reinserir o corpo na experiência do espaço – o que difere a expedição de uma caminhada qualquer é justamente a imersão na vivência.

A cidade compõe-se de muito mais do que prédios e signos, mas também do calor/frio, odores/perfumes, sons e inclusive sabores. Percepções que são coletivas e individuais, e que passam pelo crivo de idéias pré-concebidas e despertam medo, curiosidade, angústia, alívio, etc. O percurso foi muito rico em situações, desde áreas de muito verde, como a estrada entre o Jaraguá e Pirituba; áreas muito áridas, como a marginal Tietê, áreas muito edificadas, como o Centro; áreas planas e outras com relevo bastante acidentado, como Pirituba e a zona leste, respectivamente; áreas que despertavam sentimento de solidão/acolhimento como o Barra Funda e Pari/Freguesia do Ó. Soma-se a isso uma série de questões que pertencem mais à razão, que tocam nas diferenças sócio-espaciais, na organização da cidade, na representação simbólica, etc.

Seguem algumas fotos tomadas durante o trajeto; de forma geral elas são símbolos dos locais onde passamos e expressam um olhar que não está voltado apenas para os aspectos visuais.

É uma experiência que vale ser multiplicada e feita por diversos eixos da cidade.

Por Alex Sartori
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