“Ei, Dilma…” saiu pela culatra

Crente de que era representativa da opinião média da população Brasileira, parte da torcida Brasileira presente no estádio em Itaquera sentiu-se à vontade para demonstrar seu desgosto contra a Presidente Dilma de uma forma bastante delicada (ironia, ok?). O que não esperavam é que sua atitude fosse tão amplamente rechaçada, criticada à exaustão nos mais diversos tons, pelos mais diversos pontos de vista, em todos os meios de comunicação, inclusive por aqueles que não simpatizam com a presidente. Dilma, ao contrário dos torcedores, não tinha como se fazer ser ouvida pelos microfones do rádio e TV, calou-se e ouviu por pelo menos quatro vezes os gritos. Pronunciou-se no dia seguinte, quando afirmou que não se deixaria abalar – efetivamente não teria outra resposta, mas ganhou as capas dos jornais, e até de certa forma alguma empatia daqueles contra os gritos ao ver que foram fortemente repudiados. Isso não muda a aprovação do seu governo, mas demonstra que o debate político deste ano não será rebaixado ao nível do que aconteceu em Itaquera, como alguns insistem em fazer.

Diante de tanto rancor, ficaram algumas questões. A primeira é: o que efetivamente motivou a uma atitude tão baixa? Por alguns raros comentários favoráveis a essa atitude, imagino que em parte tenha sido as mazelas que o Governo Dilma supostamente causou ao país nos últimos pouco menos que 4 anos; mazelas que teriam destruído um país que até então tinha passado por outros governos que nos haviam garantido a qualidade dos países menos desiguais do mundo, não é mesmo?

Não, óbvio que não. Esses gritos ignoram os 315 anos como colônia de Portugal mais outros 7 de Reino Unido, enquanto nossas riquezas foram saqueadas e transferidas para a Europa; também ignoram os outros 67 anos de Império, e os outros 120 anos de república, que somam 510 anos de exploração, corrupção e defesa de interesses de um grupo muito pequeno – não à toa os nossos indicadores demonstram um dos países mais desiguais apesar de ser uma das maiores economias do planeta.

Se foram os casos de corrupção, dos quais se destaca o Mensalão, o caso já foi apurado (com ressalvas para algumas questões legais discutíveis mas que não cabem aqui) e os responsáveis foram punidos, estão presos e recorrem da decisão, como tem direito de fazer. E então porque não houve ofensas ao governador Geraldo Alckmin em São Paulo, ou então a Aécio Neves em Minas Gerais, cujo partido é acusado de desvios milionários nos respectivos Estados?

Evidentemente Alckimin e Aécio não são passíveis de ofensas públicas deste tom, assim como Dilma também não é, mas isso parece demonstrar uma certa tendência a ignorar alguns fatos, o que bota em xeque a capacidade de argumentação contra o governo de Dilma. Também demonstra o desconhecimento sobre a organização política do país, sobre o funcionamento de uma republica federativa e uma insistência em atribuir ao poder executivo um poder absoluto: conferem ao presidente toda a responsabilidade pelo governo, ignorando que há uma série de instâncias e diversas responsabilidades, como por exemplo que o metrô de São Paulo é de responsabilidade do Governo do Estado.

Também fica a dúvida de se há alguma motivação sexista nos xingamentos, afinal, nenhum homem, prefeito, governador ou presidente, foi tratado desta forma. Ou então o rebuliço político desencadeado pelos protestos de junho de 2013 deixou, para uns poucos, a noção de que se pode falar qualquer coisa e de qualquer forma? Que eles poderiam vir a público falar o que sempre balbuciavam no sofá e nas redes sociais?

Se as vaias contra Dilma exporiam o descontentamento da população com a forma de conduzir o país, os xingamentos expuseram uma forte repudia não só à própria atitude, mas também a uma classe social. Os xingamentos não ecoaram estádio a fora, como uma “ola” que percorreria o país de norte a sul, como podem ter projetado alguns, o que jogaria a popularidade do Governo Dilma nos índices mais baixos e transformaria a disputa pelo Planalto. Em vez disso Dilma saiu fortalecida do estádio, principalmente por ter ido ao jogo sabendo que seria hostilizada.

Por Alex Sartori

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