Entre os Bandeirantes, o orgulho paulistano e a repúdia a Haddad

Os paulistas, e em especial os paulistanos, há muito são ufanistas. Vangloriam-se da tragédia cometida pelos bandeirantes e do chamado “espírito empreendedor” daqueles que criaram São Paulo, “o Estado mais pujante da nação”, que inclusive nos levou a uma corrente separatista durante a “Revolução de 1932”. Sem conhecer a história do país, o paulista acredita veementemente que a capacidade própria de inovar, criar e empreender levou o Estado à sua condição atual, teoricamente mais avançado que os demais brasileiros: o maior PIB, a maior rede rodoviária e ferroviária, a capital financeira do país, a maior concentração urbana, de capital e de conhecimento e tecnologia, entre outros. Sem necessidade, aqui, de questionar isso, me pergunto: se esse espírito é real, onde foi parar?

Ora, tudo o que se faz em São Paulo vira regra para todo o país, assim acreditam os paulistas. Um país cujas metrópoles aguardam desesperadamente uma guinada na forma de serem governadas antes que cheguem ao colapso. Pois bem; talvez estejamos passando por um raro momento na história da cidade quando o poder executivo está à procura de políticas públicas que sejam capazes de transformar a cidade e evitar que chegue ao limite. Resultado: o prefeito tem um altíssimo indíce de rejeição. As pesquisas apontam, ainda, que o paulistano prefere administrações anteriores à atual, aquelas que pouco fizeram e sempre no sentido de mais-do-mesmo.

Não apenas parece contraditório; o é. A atual gestão, em quase dois anos, já fez muito mais pela cidade do que pelo menos as últimas 5 gestões, e tudo o que fez foi à procura de novas formas de lidar com os problemas da cidade, atrás de realmente entender quais são os problemas e propor soluções nunca testadas na cidade – não são novidades, apenas seguem os bons exemplos de outras cidades, brasileiras ou não.

Neste contexto podemos comentar algumas medidas importantíssimas que apontam para uma gestão inovadora:

– GESTÃO DEMOCRÁTICA: a criação de instancias participativas não é mérito desta gestão, já estavam previstas, por exemplo, no último Plano Diretor, aprovado em 2002 mas nunca foram implantadas. Hoje a cidade conta com conselhos participativos em diversas instancias e procura ampliar o acesso à informação pública, de forma a aumentar transparência do governo e incluir o cidadão nos processos decisórios da cidade.

– POLÍTICA DE RESÍDUOS E LIXO: a criação de dois centros de reciclagem foram suficientes para ultrapassar a quantidade de lixo que o paulistano encaminha para reciclagem. Além disso a prefeitura está procurando implantar um programa de compostagem doméstica. Combinadas as ações, a quantidade de lixo enviado a aterros e incineradores cai a patamares muito baixos.

– POLÍTICA DE TRANSPORTES: a prefeitura resolveu assumir o compromisso de livrar, paulatinamente, a cidade da dependência do automóvel, a partir da criação de 400km de ciclovias em curto prazo e da implantação de faixas exclusivas de ônibus e da construção de corredores de ônibus no padrão BRT (Bus Rapid Transit), como em Curitiba, com cobrança da passagem fora dos ônibus, pista de ultrapassagem nas paradas e troncalização das linhas. Além disso implantou um novo Bilhete Único que pode ser utilizado com tarifas mensal, semanal e comum, dando ao usuário a capacidade de locomover-se mais pela cidade com o mesmo gasto anterior.

– POLÍTICA ANTI-DROGAS: ao invés de militarizar e declarar guerra às drogas – e aos usuários, como fizeram outras gestões – a atual gestão procurou civilizar, humanizar a solução do problema e montou, junto aos usuários, o programa “Braços Abertos” na região da Luz, que conta com altos índices de adesão e redução do consumo de crack. Em tempo: dos 422 usuários cadastrados, 12 já estão trabalhando fora do programa, 23 receberam atestado de aptidão ao mercado só no mês passado, 18 estão em órgãos municipais, 66 estão fazendo curso de capacitação de jardinagem e 228 fazem serviços de varrição; o consumo de crack foi reduzido em até 70%.

– PLANO DIRETOR: o plano aprovado vai romper com a lógica que construiu a cidade durante todo o século passado, de exploração econômica do território. Não vai, de fato, negar a participação do mercado imobiliário, mas ao invés disso, vai orientá-lo para desenvolver a cidade rumo a um interesse público, e não privado como foi regra até então. Este plano prevê, entre outras muitas coisas, o aumento da participação cidadã, o devido uso da infraestrutura instalada através do adensamento dos eixos de transporte e a criação de ruas mais vivas com a retomada do uso misto nos edifícios e comércio no térreo.

Estas medidas são estruturais e, por isso mesmo, importantíssimas para a cidade. O paulistano, que sempre se vangloria da sua capacidade de inovar, agora nega uma gestão que, enfim, procura fazer algo de novo pela cidade e tirá-la do marasmo em que foi metida.

Por Alex Sartori
www.facebook.com/blog.piloti

 

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2 respostas para Entre os Bandeirantes, o orgulho paulistano e a repúdia a Haddad

  1. valdir disse:

    conversinha de ptista mesmo, voces não se cansam, porem acham que estao enganando quem ?

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